Tornou-se, para mim, tão comum ouvir a tal pergunta, que decidi, ainda em minha infância, que, se havia alguém com problemas ali, eram os outros. Porque, se para eles o "normal" era tagarelar e viver cercado de gente, para mim era aceitar o fato de que havia diversidade na raça humana, tanto em questões físicas, como psicológicas, e que o jeito do meu pai, bem como o meu, era apenas mais um perante tantos menos aceitos.
Mas eu não podia culpá-los, pois todo o seu comportamento era resultado de uma bola de neve que continuava a rolar. Provavelmente, tudo o que acreditavam ser verdade havia sido passado de geração para geração, modificando-se ao longo do tempo, mas nunca perdendo a sua essência. O conceito de que o mundo deve ser extrovertido, deve ter sido passado do mesmo modo como a crença em um deus onisciente e onipotente foi passada.
Enfim, eu nunca devi nada para ninguém. E quando me perguntavam se eu falava, ou eu dizia em tom de brincadeira um grande "NÃO", ou eu mostrava o meu belo dedo do meio. Porque, por mais que eu não possa culpá-los por suas percepções de mundo, ainda continuo achando que, sinceramente, "o inferno são os outros". E não me venha com aquele questionamento, dizendo que tudo isso é coisa da minha cabeça, que sou uma adolescente dizendo que se "eu agir diferente, estarei traindo a minha personalidade". Isto não é esse tipo de questão, estamos falando de GOSTOS e BEM ESTAR, de algo que vem de dentro da gente, desde que nascemos e que não conseguimos mudar assim. Na verdade, existem várias pesquisas (clique aqui e veja algumas) mostrando que o cérebro dos introvertidos, das pessoas como eu, é diferente dos outros.
E agora que entendeu que não é arrogância, entenda que eu estou cansada de lembrar dos meus pais dando desculpas sobre o meu silêncio para desconhecidos, de ouvir pessoas tentando me fazer acreditar que existe um problema em gostar da solidão e que o individualismo é algo tão desprezível quanto a hipocrisia que os habita ao afirmar tal coisa (ou seria ignorância?). Ignorância. A sociedade é individualista! Todos nós nos reconhecemos como indivíduos, certo? Entendeu o que quero dizer? Então não confunda INDIVIDUALISMO com EGOÍSMO. Bem como vocês, podemos ser, ou não, egoístas.
Por sermos extremamente mal compreendidos, eu e minha tribo sempre fomos colocados em uma parte invisível da balança, logo abaixo dos extrovertidos. Daí passamos a ser chamados de caladões e coisas do tipo. E por não sairmos gritando, vulgarizando e expondo o que sentimos por aí, logo ganhamos a fama de "metidos a certinhos", quando, no fundo, também não passamos de meros humanos, com defeitos e qualidades.
E sabe do que eu realmente não gosto? Eu não gosto de baladas, odeio aquela multidão se contorcendo, a música alta e o cheiro de bebida alcoólica no ar. Nas filas da vida, não quero conversar com estranhos, apenas colocar meus fones de ouvido e evitar conversas desnecessárias sobre o tempo. Sabe aquele papo de elevador? Detesto. Não entendo porque o silêncio deve ser considerado algo constrangedor. E é verdade que me expresso muito melhor por escrita do que oralmente. A verdade é que eu também não gosto muito de falar, então eu fujo de palestras, não atendo o telefone (nunca sei o que dizer) e não aceito o seu convite para ir assistir à uma peça de teatro interativa. E me desculpe por hoje de manhã. Eu realmente estava fingindo que não tinha te visto, não queria que me parasse para uma conversa rápida. Mas a culpa não é sua, é minha. Você não é pior do que ninguém, e você pode até ser uma pessoa agradável, mas é que eu odeio quando interrompem meus devaneios. Na verdade, eu só queria continuar sonhando meus planos, refletindo; só não queria falar ou interagir com ninguém. Só. Sabe aquela indisposição para lhe dar com gente? Pois, bem, é isso! Eu tenho uma enorme preguiça de gente!
Por eu ser assim, tão diferente da maioria, que não consegue passar um minuto sem agarrar o celular para ligar para alguém e saciar a sede de gente, eu me passo por arrogante, tímida, chata, psicopata, desprezível. Mas eu não sou assim o tempo inteiro. Com meus amados, sou mais do que social, sou mãezona, protetora, brincalhona, conversadeira, cantora... Eu tenho poucos em meu coração, e quando digo pouco, é 50% do que você acha que é pouco. E é assim que eu gosto, porque é melhor ter um pouco que é suficiente e que preenche, do que um muito cheio de vento.
Então eu vou continuar a ser assim, até que me aceitem. Vou continuar a ficar horas trancada no quarto, lendo, ou me arrumando para ir ao cinema com meu namorado. Ou talvez eu passe o dia sozinha, procurando algum lugar calmo perto da natureza, ou talvez eu passe horas escrevendo, que é o que eu faço de melhor. Ah, e lembre-se: nada disso é sinal de depressão, eu posso me divertir e ser tão feliz quanto você. Eu sou uma introvertida, estou muito bem assim.

Nossa! Eu também já fui muito questionado por causa disso, da timidez e muitas vezes falaram pq eu fico calado na frente de estranhos e tudo mais. Mas eu nem penso em mudar, eu acho que ser assim é muito bom. Digo, eu tenho certeza que ser assim é bom.
ResponderExcluirÉ muito chato ficar ouvindo que "você é muito quieto, precisa interagir mais!", "Você não fala?", "Que criança tímida!' e blá, blá, blá! O pior é que nem possuem culpa, pois aprendem isso através dos pais e, principalmente, na escola, onde ficam dizendo que é preciso ser falante e gesticulador para ser alguém na vida. Me pergunto se eles pensam no fato de que a nossa solidão voluntária nos fazem ser mais produtivos e o que seria do mundo sem os introvertidos, sem a teoria da relatividade, da gravidade, sem os números binários da linguagem de computador de Bill Gates e etc!
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